Reflexões


Primeiro, a historinha (chame aquela sua tia super religiosa e super perfumada para ler com você — ela vai adorar!):

Conta-se que um velho árabe analfabeto orava com tanto fervor e com tanto carinho cada noite, que, certa vez, o rico chefe de uma grande caravana chamou-o à sua presença e lhe perguntou: “Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando nem ao menos sabes ler?”. O crente fiel respondeu: “Grande senhor, conheço a existência de Nosso Pai Celeste pelos sinais dele”. “Como assim?”, indagou o chefe, admirado. O servo humilde explicou: “Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu?”. “Pela letra”, respondeu. “Quando o senhor recebe uma jóia, como é que se informa sobre o autor dela?”. “Pela marca do ourives”. O servo sorriu e acrescentou: “Quando ouves passos de animais, ao redor da tenda, como sabes, depois, se foi um carneiro, um cavalo, um boi?”. “Pelos rastros”, respondeu o chefe, surpreendido. Então, o velho crente convidou-o para fora da barraca e, mostrando-lhe o céu, onde a Lua brilhava, cercada por multidões de estrelas, exclamou, respeitoso: “Senhor, aqueles sinais lá em cima, não podem ser de homens!”. Neste momento, o orgulhoso caravaneiro, de olhos lacrimosos, ajoelhou-se na areia e começou a orar também. Deus, mesmo sendo invisível aos nossos olhos, deixa-nos sinais em todos os lugares: na manhã que nasce calma, no dia que transcorre com o calor do sol, ou com a chuva que molha a relva… Ele deixa sinais quando alguém se lembra de você, quando alguém te considera importante, quando alguém lembra de te enviar uma mensagem e diz a você o que melhor poderia dizer: fique na Paz do Senhor, porque Ela é infinita!”

Agora, minha interpretação (retirem as beatas da sala…):

OK, a história é bonita, tem frase de efeito, mas não apresenta nexo causal concreto… É fácil dizer que Deus está por trás de tudo que é belo, magnífico, inexplicável, e que essas coisas, por si só, “comprovam” sua existência, da forma como fomos levados a acreditar desde crianças. Mas será que nosso Deus é melhor e “mais verdadeiro” do que os deuses dos outros? Por que a religião católica é a única certa, a única que detém a razão, o único caminho a seguir? E se tivéssemos nascido na Índia, no Nepal, no Japão ou em uma aldeia indígina? Os cristãos/católicos é que estariam errados e nós certos?…

Dentro do que se define como religião pode-se encontrar muitas crenças e filosofias diferentes. As diversas religiões do mundo são, de fato, muito diferentes entre si. Porém, ainda assim é possível estabelecer uma característica comum a todas elas: o fato de que toda religião possui um sistema de crenças no sobrenatural, geralmente envolvendo divindades ou deuses. Esta é a base da “fé” (religiosa). E, como costumo repetir, “fé uma crença ilógica na ocorrência do improvável”. Até hoje nenhum ato ou fato histórico provou, de fato, nada sobre o que afirmam todas as religiões. Por mais bela que seja a Lua cercada por milhões de lindas estrelas reluzentes, isso não necessariamente — e nem diretamente — prova a existência de Deus. E nunca nada, pelo menos durante nossa vida aqui neste Universo, irá, de fato, provar. O que não quer dizer que ele não possa existir em nós — mas isso ainda seria fé, e não prova.

Assim, em se tratando de “Deus” (seja quem ou o quê ele for — sendo que ele pode ser algo ainda melhor e maior do que já idealizamos), só há 3 opções:

1 – Ou não se acredita em deus algum (ateísmo);

2 – Ou se acredita em casa frase das escrituras sagradas e em tudo mais que nos ensinaram desde criancinhas (fé cega, fanatismo, fundamentalismo religioso);

3 – Ou se escolhe no quê e no quanto acreditar (com senso crítico e direito de questionar — algo, aliás, não permitido pelas religiões…).

Eu fico com a 3ª opção (para ser mais exato, me enquadro na categoria de “deístaagnóstico teístapanteísmico e/ou animísmico“*). Mas quem se importa?

Buscamos muito a “Deus”, mas procuramos e valorizamos pouco a deidade desse mesmo Deus… Este talvez seja o maior erro de todas as religiões.

Abraços e fiquem com Deus!

World religion

Pequeno glossário-ismo

* Deísmo – Postura filosófico-religiosa que admite a existência de um Deus criador, mas questiona a idéia de revelação divina. É uma doutrina que considera a razão como uma via capaz de nos assegurar da existência de Deus, desconsiderando, para tal fim, a prática de alguma religião denominacional.

* Agnosticismo – Dentro da visão agnóstica, não é possível provar racionalmente a existência de Deus, como também é igualmente impossível provar a sua inexistência. Para um agnóstico, Deus pode até existir, porém suas características são incompreensíveis para a razão humana.

* Panteísmo – A visão panteísta sustenta que o Universo inteiro é o próprio Deus. Assim: “Deus é o Universo, e o Universo é Deus”.

* Animismo – Crença na qual se atribui a todos os elementos do cosmos (Sol, Lua, estrelas), a todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres vivos (animais, árvores, plantas) e a todos os fenômenos naturais (chuva, vento, dia, noite) um princípio vital e pessoal, isto é, uma Alma. Consequentemente, todos esses elementos são passíveis de possuirem: sentimentos, emoções, vontades ou desejos, e até mesmo inteligência. Resumidamente, os animistas alegam que: “Todas as coisas são Vivas”, “Todas as coisas são Conscientes”, ou “Todas as coisas têm uma Alma”.

Uma breve história da religião

Tradução:

- Que diabos você está fazendo?

- Estou rezando para esta pedra sagrada! Ela me dá paz, propósito e conexão espiritual. Você deveria fazer isto também!

- Você está brincando?! É apenas uma pedra estúpida!

- Blasfêmio!

- Ele mereceu isso, ó santíssima. Ele era um infiel!

Muitas pessoas estão mantendo “blogs” e fazendo websites pessoais hoje em dia. Outras muitas pessoas às vezes me perguntam se isso não é uma perda de tempo.

Os motivos que levam cada pessoa a decidir elaborar seu próprio site na Internet são diversificados e muito pessoais. No entanto, analisando este fenômeno de forma filosófica, vejo que ter um website pessoal é, embora pouco se perceba, uma forma de arte. As antigas pinturas nas cavernas eram expressões da cultura de povos pré-históricos que documentavam a história de sua gente e de sua época. Cada uma delas ilustra momentos de nossa existência através dos tempos. Algumas delas mostram dor (como na perda de um dedo) e felicidade (como no nascimento de uma nova criança). Páginas pessoais são como pinturas nas cavernas, pois são expressões de cultura e sentimentos das pessoas que as possuem. Da mesma forma, elas documentam a história dessas pessoas e um determinado período de suas vidas ou de sua época, pois cada uma delas também conta uma história diferente. Como exemplo, muitas páginas pessoais que são encontradas nos grupos de discussão femininos mostram a dor pela perda de um marido ou a alegria pelo nascimento do primeiro filho. Já outras exibem fotos de uma viagem pessoal realizada durante as férias. Há ainda as que servem aos propósitos de utilizade pública ou como repositórios culturais (tais como os sites de poesia).

Diferentemente das pinturas pré-históricas, as milhões de páginas pessoais e blogs que estão no ar (assim como todo o conteúdo da Internet, de forma geral) ajudam as pessoas do mundo de hoje a entenderem e refletirem como é viver nos tempos atuais.

E por quais motivos pessoais eu criei este blog e um website pessoal?

Para divulgar meu trabalho e me divertir, ensaiando um pouco de arte digital… Além disso, hoje em dia cada vez mais precisamos de um cartão de apresentação cibernético, um currículo digital. Armar nossa tenda na grande rede, entende?

No entanto, para melhor entender porque cada vez mais pessoas estão construindo blogs e websites pessoais e se comunicando umas com as outras pela Internet, é preciso observar os seguintes bons argumentos:

  • Liberdade de expressão
  • É o que dá à Internet o potencial de incrível poder.

  • Desmascaramento dos esteriótipos
  • Já percebeu que, seja por orgulho, timidez ou medo, costumamos não falar com algumas pessoas por causa de sua idade, sexo, peso, roupas, o carro que ela possui ou o emprego que ela tem? A Internet nos serve como uma espécie de escudo contra os preconceitos óbvios que encontramos na nossa vida cotidiana. Através dos meios virtuais, você pode lidar com uma pessoa sem a interferência desses preconceitos.

  • Proteção de retaliação direta
  • A Internet nos fornece um ambiente onde podemos expressar aquilo que pensamos sem sofrermos retaliação direta. Você pode receber flame por e-mail, mas eles ainda poderão ser simplesmente apagados. Por exemplo, pense o quão seguro de si nós nos sentimos quando usamos óculos escuros. Eles formam uma máscara para os olhos, uma espécie de escudo que faz com que nos sintamos protegidos do olhar direto e inquisitivo dos outros enquanto ainda permite que você os observe. A Internet nos dá a mesma sensação – ou o mesmo tipo de proteção – que faz com que você diga e olhe o que quer sem correr o risco de uma retaliação direta e imediata.

  • As vozes de todos têm o mesmo volume
  • Aqui na Internet, a voz de uma pessoa pode ser tão proeminente e notável quanto a de qualquer outro indivíduo ou entidade.

  • Expressão dos taboos
  • Oh, sim! Quantas vezes nossas mães, professores ou padres nos falaram “não toque, não olhe, não diga”? Na Internet temos a liberdade e possibilidade de explorar os taboos e de desmistificar muitos deles apenas através da possibilidade que temos de conhecê-los melhor (seja por meio da leitura, da pesquisa, da observação, da conversa com outras pessoas – sempre, naturalmente, observando-se os cuidados necessários).

  • Sensação de não ser o único
  • Encontrar outras pessoas que partilhem os mesmos pensamentos, sentimentos e experiências pode ser um evento encorajador, animador, estimulante e excitante para o espírito (embora, particularmente, eu prefira um bom vinho em frente à lareira ou um chope na beira da praia…).

    Qual sua verdadeira face?O comportamento das pessoas, hoje em dia (ou cada vez mais, para os pessimistas de plantão), tem sido muito artificial. Aprendemos (e conseguimos!) a mentir, iludir, enganar e trair com muita naturalidade – até a nós mesmos… Não quero parecer puritanista ao dizer isso, já que estas ações são inerentes ao fato de ser humano (afinal, quem de nós um dia não realizou ao menos uma delas contra alguém ou contra si próprio? Se você nunca fez nada disso, então atire a primeira pedra em minha caixa de comentários!). O grande problema é que as pessoas têm tornado todas essas ações atos típicos do cotidiano, tranformando as exceções em regras (e, muitas vezes, cometendo todas ao mesmo tempo…). Temos nos tornado atores de nós próprios e transformado nossas vidas em um grande palco de encenação constante, sobre o qual usamos máscaras para (dis)simular nossas verdadeiras intenções. Vivemos criticando várias pessoas por agirem assim (como nossos políticos, por exemplo), mas agimos camufladamente da mesma forma.

    Viver para trabalhar ou trabalhar para viver?Em qual cenário geralmente mais agimos assim? Em minha opinião, o mercado de trabalho tem sido o ambiente ideal para a prática da arte de dotar as pessoas desse talento para a encenação maliciosa. As relações comerciais (pressionadas pela concorrência voraz, pelo atingimento de metas sem escrúpulos e pela crescente e insaciável busca pelo cálice sagrado dos lucros cada vez maiores e a qualquer custo) nos obrigam cada vez mais a blefar, omitir, mentir e, algumas vezes, até mesmo trapacear e corromper (ou nos deixarmos corromper) para atingirmos um objetivo (que na maioria das vezes nem mesmo é legitimamente nosso). As relações no mercado de trabalho têm se tornado demasiadamente predatórias, interesseiras e impessoais (OK, os almoços de negócio tentam devolver alguma “humanidade” às relações – além de aumentarem nossa efetiva jornada de trabalho em mais 1 ou 2 horas e, algumas vezes, nos presentearem com dolorosas gastrites… – mas quase sempre não combinam com a comida). Muito se tem perdido do ser humano nesse processo. Hoje em dia as corporações querem profissionais que sejam Super Homens (ou Mulheres Maravilhas), ou seja, infalíveis, multi-habilidosos, multi-certificados, poliglotas, incansáveis, pós-graduados e doutorados ao máximo do limite acadêmico e super estudiosos, aplicados e dedicados – tudo isso ao mesmo tempo. Ou seja, na prática (embora o discurso do RH seja bem demagogicamente diferente…), as empresas (especialmente as maiores), desejam que seus “colaboradores” (um novo termo termo hipócrita criado pelos gurus da nova era corporativa para fazer o empregado se sentir mais humano, valorizado e respeitado do que ele realmente é) mantenham-se prioritariamente dedicados aos negócios e, quando e se necessário (ou seja, quase sempre), que até mesmo renunciem às suas próprias vidas pessoais (incluindo suas famílias) em favor dos interesses da organização: é aquilo que sutilmente chamam de “vestir a camisa da empresa”. Por conta disso (ou mesmo devido à necessidade legítima), as pessoas, atualmente e cada vez mais, têm vivido para trabalhar – ao invés de trabalhar para viver.

    Macacos da mídiaMas o quê tem nos levado a agirmos assim? Um dos elementos responsáveis pela “coisificação” do ser humano (além do individualismo provocado pela violência e do consumismo de nosso neocapitalismo globalizado, através do qual as fronteiras do mundo maravilhosamente se abrem, enquanto nos fechamos e nos isolamos dentro de nós mesmos e de nossos novos medos sazonais…) é a mídia de massa – em especial, a TV e a imprensa especialista em futilidades “in“. Através dela alimentamos nossos desejos mais perversos de consumo, estilo de vida e identificação pessoal. A silhueta de nossas personalidades são (re)moldadas pela mídia, à medida que nos deixamos influenciar e “lobotomizar” pela lavagem cerebral proporcionada por suas propostas duvidosas, ideologias hipócritas, sonhos ilusórios e histórias nem sempre bem contadas. Da mídia social às redes de comunicação interpessoais, todas as novas mídias e tecnologias possuem um crescente e importante papel na forma como entendemos e lidamos com nossas complexas vidas atuais. Notícias, jogos de computador, música e outras formas de arte, teorias da comunicação, filosofia, sociologia e outras áreas também contribuem significativamente para nosso entendimento do papel das relações e da tecnologia para nosso aprendizado e formação de opinião, personalidade e caráter (ou suas alterações). Mas a mídia em si não é a grande culpada. Culpado é o homem que alimenta a mídia com detritos e o que se deixa alimentar por ela sem senso crítico (que aprendeu, desde a escola, a não ter ou desenvolvê-lo de forma positiva…). Nossos já “lobotomizados” professores estavam ocupados demais em vomitar toda aquela sopa de letras e muitos conhecimentos inúteis sobre nossas cabeças e, nós, apenas muito preocupados em simplesmente decorar tudo aquilo para tirarmos notas suficientes para passarmos de ano, enquanto só pensávamos nas diversões das férias de verão (quando, muitas vezes, aprendíamos mais sobre a vida do que nas escolas…).

    Crédito da foto: Georgios M.W.Há outras variáveis? Centenas delas! Mas este post não pretende se tornar um tratado… O fato é que estamos vivendo uma época em que nossas justificativas e declarações a respeito daquilo que fizemos, fazemos ou pretendemos fazer (ou não) estão se tornando cada vez mais repetitivas, lugar comum, hipócritas e demagógicas. Nunca desconfiamos tanto de nós mesmos. Nunca duvidamos tanto de nossas palavras, gestos, atitudes, idéais e – sobretudo – intenções. Somos vigias amedrontados de nós mesmos. Na melhor das hipóteses, acreditamos nas pessoas – mas “com um pé atrás”… Até nos sentimos incomodados de pedir um favor a alguém (e, quando o recebemos, nos achamos na obrigação aflita da retribuição imediata). Damos mais importância ao nosso status social do que ao nosso estado de ser e de estar. Falamos e gesticulamos de forma tão massificadoramente idêntica que parecemos “bio-robôs” saídos de uma mesma linha de produção. Estamos perdendo nossa originalidade, nossa identidade pessoal, nosso encanto individual. Quando, idealmente, cada pessoa deveria ser aquela que é o que é e, assim sendo, ser aquilo que ninguém mais é – sem “máscaras”, sem precisar ter que fingir ser o que não é para viver. E você? Quantas “máscaras” você guarda em seu armário?

    E não, não sou um pessimista ou um antropólogo ou sociólogo de mal humor. Sou apenas um daqueles observadores daquilo que os olhos não vêem (enquanto tento, sem precisar usar “máscaras”, ser aquele que ninguém mais é).

    Eu sou da paz...

    Em 1996, a cronista americana Mary Schmich escreveu um texto chamado “Advice, like youth, probably just wasted on the young“, título que poderia ser traduzido por “Conselhos, tal como a juventude, provavelmente desperdiçados pelos jovens“. Posteriormente, ele foi publicado no jornal Chicago Tribune e, daí em diante, ganhou o mundo. Já outros atribuem a autoria da obra à Tim Cox e Nigel Swatson…

    O fato é que, depois de muito rodar pela Internet, já em 2003, este texto foi convertido em uma versão musicada, com imagens e declamada por Pedro Bial, que foi “ao ar” no Fantástico, tornando-se um verdadeiro sucesso. No entanto, poucos sabem que existe uma versão anterior muito similar (e anterior à do Fantástico), produzida em 1999 pela agência de publicidade DM9DDB. De toda forma, ambas são belas e inspiradoras.

    Clique na foto acima para ouvir a versão narrada pelo Bial (se não reproduzir, efetue o download do “Flash Player” para ouvi-la). Ou então somente leia:

    Senhoras e senhores da turma de 2003: filtro solar!
    Nunca deixem de usar filtro solar.
    Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: use filtro solar!

    Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência.
    Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.
    Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês:

    Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.
    Ou, então, esquece… Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado.
    Mas, pode crer, daqui a 20 anos, você vai evocar as suas fotos e perceber de um jeito que você nem desconfia hoje em dia quantas, tantas alternativas escancaravam à sua frente – e como você realmente tava com tudo em cima.
    Você não tá gordo! Ou gorda…

    Não se preocupe com o futuro.
    Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra.
    As encrencas de verdade de sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça feira modorrenta.

    Todo dia enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.

    Cante.

    Não seja leviano com o coração dos outros.
    Não ature gente de coração leviano.

    Use fio dental.
    Não perca tempo com inveja.
    Às vezes se está por cima, às vezes por baixo.
    A peleja é longa e, no fim, é só você contra você mesmo.

    Não esqueça os elogios que receber – esqueça as ofenças.
    Se conseguir isso, me ensine!
    Guarde as antigas cartas de amor.
    Jogue fora os extratos bancários velhos.

    Estique-se.

    Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.
    As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos 22, o que queriam fazer da vida.
    Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem…

    Tome bastante cálcio.
    Seja cuidadoso com os joelhos – você vai sentir falta deles.

    Talvez você case, talvez não.
    Talvez tenha filhos, talvez não.
    Talvez se divorcie aos 40, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.

    Faça o que fizer, não se auto-congratule demais, nem seja severo demais com você.
    As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo.
    É assim pra todo mundo.

    Desfrute do seu corpo.
    Use-o de toda a maneira que puder, mesmo.
    Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele.
    É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.

    Dance.
    Mesmo que não tenha aonde, além do seu próprio quarto.

    Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois.
    Não leia revistas de beleza! Elas só vão fazer você se achar feio…

    Dedique-se a conhecer os seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora de vez.
    Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.
    Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons.
    Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando jovem.

    More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
    More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.

    Viaje.

    Aceite certas verdades inescapáveis:
    Os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você também vai envelhecer.
    E quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes e as crianças respeitavam os mais velhos.

    Respeite os mais velhos.

    E não espere que ninguém segure a sua barra.
    Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.
    Talvez case com um bom partido.
    Mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar…
    Não mexa demais nos cabelos, senão quando você chegar aos 40 vai aparentar 85.

    Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
    Conselho é uma forma de nostalgia.
    Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.

    Mas, no filtro solar, acredite.

    Quando se focaliza a oposição nas manifestações mais recentes do capitalismo (por exemplo, a reestruturação, o mercado global, as organizações de livre comércio, o poder controlado pelas corporações multinacionais), isso significa que um ataque ao verdadeiro coração do sistema capitalista está sendo esquecido ou ignorado. O capitalismo não é um lugar (“centros financeiros”) ou uma coisa (“corporações multinacionais”), ele é uma relação social baseada no trabalho assalariado e na troca de mercadoria, de onde o lucro é derivado do roubo do trabalho não pago efetuado pelo capital.”

    Trecho retirado do livro “Urgência das ruas – Black Block, Reclaim The Streets e os dias da Ação Global”, organizado por Ned Ludd, publicado pela Conrad. Pinçado do excelente blog de Rafael Reinehr.

    Durante todo o período da história humana, nunca o mundo evoluiu tanto quanto nos últimos 60 anos, e devemos isso, principalmente, ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia em todas as áreas do conhecimento humano. Será que ambas foram o grande bem do século XX?

    Sem dúvida os avanços da ciência (e, consequentemente, da tecnologia) trouxeram uma série de benefícios em favor da melhoria da qualidade de vida de todos nós. No entanto, é preciso abrir a cortina e ver que, ao mesmo tempo, a ciência também transformou o bem em mal quando criou uma tecnologia que amplia a distância entre ricos e pobres, priva de empregos jovens sem instrução e deixa grande número de mães jovens e de crianças desesperançadas e sem ter onde morar. Este mal pode ser visto em muitas partes do mundo, especialmente nas grandes cidades da américa do Sul e do Norte. Na época do Natal, quando se caminha pelas ruas de New York depois do escurecer, vê-se toda a extensão desse abismo. As vitrines exageradamente iluminadas, cheias de brinquedos eletrônicos high-tech para os filhos dos ricos, e poucos metros adiante os cantos escuros das entradas do metrô repletas dos vultos indistintos dos trapos humanos que a nova tecnologia deixou para trás. Cenas antagônicas como essa tornaram-se parte de nosso dia-a-dia.

    Há cerca de 60 anos atrás, ricos e pobres eram menos isolados e menos temerosos uns dos outros e a sensação de pertencer a uma comunidade era mais intensa. Os ricos tinham menos trancas em suas portas e os pobres possuíam um teto sob o qual morar. Desde aquela época, a riqueza se acumulou e a sociedade se deteriorou. É como disse Haldane (filósofo e político escocês, 1856-1928): “A tendência da ciência aplicada é de amplificar as injustiças até que se tornem intoleráveis demais para serem suportadas, e o homem comum, que nenhum profeta ou poeta é capaz de sensibilizar, finalmente se move e extingue o mal em sua origem“.

    A grande maioria dos cientistas se defende ao dizer que as calamidades da sociedade são causadas pela droga, pela disseminação de armas, pela intolerância racial, pelo analfabetismo, pela má qualidade das escolas ou pela dissolução das famílias – e não pela ciência. É verdade que as causas imediatas da desintegração social são morais e econômicas – e não técnicas. No entanto, a parcela de responsabilidade por tais males com que a ciência deve arcar é mais pesada do que a maioria dos cientistas está disposta a admitir. Quando examinamos os processos em uma escala temporal de 50 ou 100 anos, realmente percebemos que a mais poderosa força de mudança é a ciência e que, em seu nome, máquinas tomaram o lugar de trabalhadores manuais pouco qualificados e computadores tomaram o lugar de funcionários administrativos pouco qualificados em todos os ramos da indústria e do comércio. Devido à ciência, a classe média tradicionalmente conservadora (constituída por operários especializados bem pagos) deixou de existir. Devido à ciência, já não existem empregos que paguem o suficiente a jovens sem educação superior para que estes possam sustentar uma vida confortável para suas famílias, a menos que sejam dotados de talentos especiais e muita sorte, como ocorre com jogadores de futebol ou celebridades do cinema ou da música. Devido à ciência, famílias que têm acesso a computadores e à educação superior tornam-se rapidamente uma casta hereditária em que as crianças herdam de seus pais essas vantagens. Devido à ciência, crianças privadas de oportunidades legítimas de ganhar a vida têm fortes incentivos econômicos para juntar-se a gangues e tornaram-se criminosas. Desta forma, a mudança tecnológica impulsionada pela ciência tem sido a causa primária dessas revoluções na base econômica da sociedade. Depois que a mudança tecnológica fecha indústrias e destrói empregos, o declínio da moralidade e a erosão da disciplina se seguem como consequências imediatas e novas causas secundárias de esgarçamento social.

    Especificamente no que diz respeito à invasão dos computadores em nossas vidas, imagino que nem mesmo seu criador, o matemático húngaro-americano Von Neumann (1903-1957), tenha previsto o surgimento do computador pessoal e muito menos da Internet, que expandiram-se com velocidade explosiva. Assim como outras mudanças tecnológicas, ambos trouxeram tanto o bem quanto o mal. No lado bom, a popularização da tecnologia nos deu computadores amigáveis, com rostos humanos, acessíveis a pessoas comuns, que os usam para o trabalho e como divertimento. Von Neumann nunca imaginou que os computadores pudessem ser humanizados a ponto de mães o usarem para imprimir convites e as crianças os empregarem para fazer suas lições de casa. Do lado mau, a indústria de computadores domésticos ampliou o abismo entre ricos e pobres. O filho de pais que têm computador se “alfabetiza” na informática à medida que cresce e é inundado por oportunidades de ingressar no mundo da educação, do trabalho e da indústria high-tech. Já a criança sem acesso a um computador doméstico fica para trás neste processo. O analfabetismo informático é uma barreira adicional que a criança pobre precisa suplantar para ganhar a vida honestamente. O escritor norte-americano Alvin Tofler define precisamente essa situação quando afirma que “por volta do ano 2000, aqueles que não tiverem um mínimo de conhecimento de computação serão considerados os novos analfabetos do século XXI“.

    Livro sugerido: “Mundos Imaginados” (de Freeman Dyson, Cia. das Letras, 1998).

    A ciência e a tecnologia, e as várias formas de arte, todas, unirão
    a humanidade num sistema único interconectado.”

      Z. A. Medvedev, no livro “The Medvedev Papers” (1970)

    Reality show

    Verdades e lições que tenho aprendido ao longo da vida (algumas delas ao longo das últimas semanas…):

    - Quando a vida coloca em nosso caminho alguém que nos proporciona algum mal que não merecemos, é porque esta pessoa, de alguma forma, vive algum desconforto dentro dela. A quantidade de dor que ela te faz sentir é diretamente proporcional à quantidade de dor que ela sente (ou já sentiu) dentro dela.

    - Quem é capaz de denegrir a imagem de alguém que não conhece e iludir para destruir um relacionamento alheio é um grande vitorioso sem glórias – e também sem nobreza de caráter. E se ainda for capaz de provocar em alguém a mesma dor e sofrimento de que um dia também já foi vítima, não somente demonstra ser um insensível – mas, sobretudo, um covarde que utiliza contra os outros as mesmas armas e golpes baixos que um dia o feriram no lado esquerdo do peito.

    - É melhor e mais nobre vencer ou conquistar alguém com verdades do que com mentiras.

    - O amor vem para aqueles que ainda têm esperança (mesmo que embora tenham sido desapontados), para aqueles que ainda acreditam (mesmo embora tenham sido traídos) e para aqueles cujo amor ainda cicatriza (mesmo que já tenham sido feridos antes). O coração é um eterno inexperiente…

    E, para quem gosta de frases feitas…

    - “Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação, porque seu caráter é o que você realmente é, enquanto sua reputação é meramente aquilo que os outros pensam que você é.

    - “Uma das mais bonitas compensações da vida é que ninguém pode sinceramente tentar ajudar outra pessoa sem ajudar-se a si próprio.

    - “Os anos nos dizem coisas que os dias nunca saberão.

    - “Os imaturos no amor dizem: ‘Eu te amo porque preciso de você.’ Já os maduros dizem: ‘Eu preciso de você porque eu te amo!’

    - “Melhor ter amado e perdido, do que não ter amado.

    - “O amor faz o tempo passar. Já o tempo faz o amor passar…

    - “Não podemos aprender sem dor“, mas…

    - “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

    Não espere que um grande amor venha procurá-lo. Vá ao seu encontro e, quando o encontrar, ainda que não seja aquele que você sonhou, viva-o com toda intensidade, como se o fosse.

    Pensando bem, por tudo o que a gente vê, vivencia, deseja, ouve e pensa, não existe uma “pessoa certa” para nós. Existe sim uma pessoa que, se você for parar para pensar, é, na verdade, a “pessoa errada”! Porque a pessoa certa faz tudo certinho. Chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas, mas nem sempre estamos precisando das coisas certas (geralmente porque realmente não são as coisas mais certas para nós). Daí é a hora de procurar a pessoa errada. Porque a pessoa errada te faz perder a cabeça, fazer loucuras, perder a hora, mudar seus hábitos, sentir amor, chorar, refletir. A pessoa errada vai ficar uns dias sem te procurar (para que quando vocês se encontrarem, a entrega ser muito mais verdadeira). A “pessoa errada” é, na verdade, aquilo que a gente chama de “pessoa certa”. Essa pessoa vai te irritar, fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas. Essa pessoa vai tirar seu sono, mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível e alegrar seu coração, te fazer sentir segura e confortável. Essa pessoa talvez te magoe algumas vezes , mas depois te encherá de mimos pedindo seu perdão. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você. Vai estar o tempo todo pensando em você.

    A pessoa errada não te parece ser a certa porque esperamos que tudo seja e dê certo, conforme desejamos – mas, na vida como ela é, poucas coisas são absolutamente certas ou exatas (da forma como idealizamos em nossos planos e sonhos). Certo mesmo é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, lutando, conseguindo. Só assim é possível chegar àqueles momentos da vida em que percebemos que tudo deu certo no final. Quando, na verdade, tudo o que precisamos é encontrar a pessoa errada, para que nossas vidas sejam complementadas pela vida do outro e pelas coisas certas que ela nos traz – para que, de alguma forma, nossas vidas tenham mais sentido e sejamos mais felizes…”

    (Texto anônimo, com algumas adaptações minhas)

    É um mundo mágico...

    Tradução:

    Calvin: Uau, nevou pra valer na noite passada! Não é maravilhoso?

    Hobbes: Tudo que é familiar desapareceu! O mundo parece novo em folha!

    Calvin: Um novo ano… Um início fresco e limpo!

    Hobbes: É como ter uma grande folha branca de papel para se desenhar!

    Calvin: Um dia cheio de possibilidades! É um mundo mágico, Hobbes, meu velho amigo… Vamos explorar!”

    Tantas coisas pra fazer hoje e eu aqui tentando ver sentido em relembrar e refletir pessoas que passaram e de alguma forma marcaram minha vida. Ainda não sei se isso é bom. Se não for, então será sempre um vício que terei que correr…

    Certa vez li um pensamento (cuja autoria é atribuída à diversas personalidades, tais como Dalai Lama, Madre Tereza de Calcutá e Kung-Fu-Tse, vulgo “Confúcio”), que descobri se encaixar perfeitamente com meu modo de ver a vida moderna:

    Os seres humanos fartam-se de ser crianças e têm pressa de crescer, mas quando adultos suspiram por voltar a ser crianças. Perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperá-la. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por não viver nem no presente, nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido…”.

    Construa seu patrimônio, trabalhe com dedicação e planeje o futuro – mas lembre-se que isso tudo é o meio, e não o objetivo final. Pois, a vida, é o que acontece entre cada uma destas coisas.

    Somos unidades biológicas cuja espécie é movida a dúvidas. A cor das paredes do apartamento novo, o destino das próximas férias e os sabores das bolas do sorvete são apenas uma pequena amostra de nossas infinitas dúvidas diárias.

    Mas, sem dúvida (e sem trocadilho…), a maior de todas as dúvidas continua sendo: “qual o sentido da vida?” (inclua-se nesta abrangente pergunta as questões relativas a o quê será de nós após a morte, como surgiu o Universo, se existem seres extraterrestres, se eram os deuses astronautas, quem mexeu no nosso queijo, ser ou não ser etc.).

    No excelente filme “Quiz Show” (EUA, 1994), que retratava os bastidores de um programa de TV que premiava pessoas por seus conhecimentos, alguém cogitou que esta seria a pergunta de US$ 64.000 dólares (o valor do prêmio máximo, numa época em que US$ 64 mil era muito, muito dinheiro…). O grupo humorístico inglês Monty Python (O “Casseta e Planeta” da Inglaterra) brincou com este tema no quase filosófico filme “O sentido da vida” (“The meaning of life” – Inglaterra, 1983), onde tentaram desvendar os mistérios da vida com sketches que examinavam as eras do homem e outras situações típicas do cotidiano nosso de cada dia. Eles podem não ter conseguido chegar a uma resposta exata, mas nos ajudaram a perceber que nem sempre é preciso buscar sentido naquilo que se vive – literalmente.

    A morte - Cena do filme 'O sentido da vida', de Monty Python
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    Para aqueles que não se satisfazem em apenas participar dessa grande peça teatral sem ensaios que é a vida sem conhecer a íntegra do script (como eu), viver pode ser bem mais confuso… Dilemas constantes, dúvidas cruéis e crises existenciais são apenas alguns dos efeitos colaterais dessa busca pelas respostas sagradas que explicariam, por exemplo, por quê morremos, de onde viemos, para onde vamos (se é que vamos…) e por qual motivo a Fanta Uva light só vem em latinhas… Oh, well.