Prazeres


Primeiro álbum do Hojerizah

Lembram do Hojerizah? Aquela banda “alternativa” dos anos 80, que tinha um vocalista com voz de barítono? Pois é! Eles tocaram no rádio por um tempo, com apenas uns 2 ou 3 sucessos (especialmente “Pros que estão em casa” e “Senhora feliz“). Adorava ouvir e tocar uma meia dúzia de músicas deles e ainda tenho o 1º vinil lançado perdido no meio de uma enorme pilha de outros LPs empoeirados e intocados pelo tempo e (e principalmente por mim). Sim, eu sou da época do vinil, do “bolachão” (ô, nem faz tanto tempo assim!), mas daí ainda ter uma pick-up (toca-discos) em casa seria (bom) demais… Então outro dia resolvi procurar a versão em CD para uma “sessão nostalgia” do tipo “viagem no túnel do tempo”.

Suas letras eram bastante líricas, profundas, poéticas e às vezes complexas (tanto de compreender quanto até mesmo de entender o quê estava sendo dito). O estilo e os arranjos eram diferentes de tudo que se tocava na época, muito bem trabalhados e que também costumavam ser complexos, sem que houvesse uma única música parecida com outra. Em minha opinião, foi uma das melhores bandas nacionais de todos os tempos, mas que, infelizmente, acabou definhando porque o povão que ouve rádio FM não consegue absorver ou compreender (e, consequentemente, aprender a apreciar) arte de qualidade. Não é à toa que, por exemplo, Rush não toca no rádio…

Segundo álbum do Hojerizah

Como infelizmente não achei o CD, farejei seus MP3 na Internet e achei o blog “FLY 2112” (que, por coincidência, é de um fã do Rush…), onde há um post que fala sobre o Hojerizah e explica por quê a banda sumiu do show business (que, no caso deles, era mais show do que business…). No final há um constrangedor - mas insuportavelmente atraente - link para baixar todas as músicas de seus únicos dois álbuns (num total de 70 MB). É uma ótima oportunidade para quem não teve o privilégio de ouví-los naquela época (e melhor ainda para aqueles que já eram fãs matarem a saudade). Mas, se acharem os CDs (caso tenham sido lançados…), por favor me avisem (e procurem comprar também, caso gostem das músicas; afinal, a banda não existe mais, mas seus ex-integrantes sim - e certamente eles ainda ganham com a venda de suas músicas).

Músicas sugeridas:

- Pros que estão em casa
- Senhora feliz
- Sol
- Roma
- Cinzas que queimam
- Pessoas
- Tempo que passa

Pros que estão em casa (ou mesmo fora dela), será degustação musical garantida!

Para os apreciadores de vinho (como eu), anda difícil encarar os quentes taninos aqui nos trópicos, durante esse verão infernal de Dante (Brasil 40º)… Só mesmo sob ar condicionado, para climatizar o corpo e a alma antes da próxima “taça nossa de cada dia”… Santo resveratrol, Batman!

Um abraço e muito HDL pra vocês!

Vinhos! Ah, o vinho… Por ser um verdadeiro descendente de italiano, está em meu sangue a veneração por vinhos, esse néctar dos deuses (Bacco tinha razão…)! Tenho especial atração pelos vinhos tintos espanhóis com bouquet amadeirado (pois dormem anos a fio em enormes barris de carvalho) e as uvas tintas Merlot e Carmenère são as minhas preferidas. O vinho, além de fazer bem à saúde (em doses terapêuticas, é claro), parece inspirar a alma. Se alguém deseja me dar um presente e não sabe o quê escolher, que me presenteie com uma boa garrafa de vinho tinto! E, bem, você sabe… vinhos tintos chamam um bom queijo gorgonzola, um pãozinho com azeite, um salaminho italiano e por aí vai… Cada vez mais me convenço de que o vinho é o melhor amigo do homem - o vinho é o cachorro engarrafado!

Quem me conhece sabe que eu adoro viajar. Quanto mais longe, melhor. Acho que tudo começou lá pelos idos de 1986, quando o início do estudo do idioma inglês (associada à sedução lobotômica do “sonho americano”) me fez perceber que eu tinha vocação pra ser cidadão do mundo. O cinema, é claro, também ajudou bastante, pois literalmente abriu meus olhos para horizontes muito além daquele que eu podia ver pela janela de meu quarto, na pequena cidade onde nasci (que, por lá, audaciosamente insistem em apelidar de “capital secreta do mundo”…). Naquela época eu já começava a me sentir prisioneiro de meu lar doce lar. Percebi que viajar era preciso.

Especialmente para outros países. Os nacionalistas de plantão dizem que eu sou um filho pródigo da pátria amada, que há tantas coisas bonitas para se conhecer no Brasil. E é verdade (a segunda afirmativa - e não a primeira…). Mas viajar, para mim, não diz respeito apenas aos lugares. Tem haver com as pessoas, com a cultura, com a “aura” do local. Com a misteriosa e intrigante (mas ao mesmo tempo deliciosa) sensação de enfrentar o inesperadamente novo, o desconhecido. De ver como este mundo globalizadamente pequeno é tão grande em diversidade.

E não falo, por exemplo, de ir à Paris para subir na Torre Eiffel ou de ir aos EUA tirar fotos com Mickey Mouse na Disneylândia (embora confesse que já tenha cometido a segunda por acidente…). Falo de exorcisar as excursões turísticas e bravamente alugar um carro e se perder no interior da França (passando pelos inúmeros pequenos vilarejos, cheios de história e vinhos espetaculares), ou cruzar os EUA (através dos ossos da lendária Rota 66, conhecendo alguns dos locais e personagens que ainda fazem parte da história do “velho oeste”, como tive a oportunidade de fazer em 2001).

Viajar não se resume a apenas visitar lugares, mas a absorvê-los em sua plenitude, evitando as “armadilhas para turistas” (ou pelo menos não se limitando apenas a elas). É preciso comer o que os residentes locais comem, frequentar os lugares que eles frequentam, ouvir as músicas que eles ouvem, até mesmo usar as roupas que eles usam (mesmo que nada disso esteja listado nos guias de viagem comerciais). “Quando em Roma, faça como os romanos“. Somente dessa forma poderemos voltar pra casa e dizer que, de fato, conhecemos um determinado lugar e trouxemos conosco uma enorme bagagem (não de produtos ou souveniers, mas de elementos culturais que durarão para sempre dentro de nós e que, de alguma forma, nos tornarão mais educados, civilizados, humildes e contemplativos perante à humanidade, às pessoas com as quais convivemos e talvez ao próprio sentido da vida - seja ele qual for…). E para que, no aconchego do nosso lar doce lar, possamos sonhar com a próxima viagem doce viagem

Prédio do Senado (Bogotá - Colômbia - Jan/2006) Não cuspa em mim! (Lhama em Bogotá - Colômbia - Jan/2006) Malabaristas em Venice Beach (California - EUA - Jan/2006) Sem palavras... (com Charles Chaplin no Universal Studios - Hollywood/LA - EUA - Jan/2006)