Cotidiano


Para os apreciadores de vinho (como eu), anda difícil encarar os quentes taninos aqui nos trópicos, durante esse verão infernal de Dante (Brasil 40º)… Só mesmo sob ar condicionado, para climatizar o corpo e a alma antes da próxima “taça nossa de cada dia”… Santo resveratrol, Batman!

Um abraço e muito HDL pra vocês!

Feliz ano novo...

Tradução:

FELIZ ANO NOVO!!!

- Porcaria. Nada mudou.”

Já pensou no quê você deseja para este seu novo ano que começa? Dentro de alguns anos você estará mais arrependido(a) pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Então, solte suas amarras. Afaste-se do porto seguro. Agarre o vento em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra. Não espere mudanças - provoque-as. Mude, se for preciso.

O blog americano “Dark Roasted Blend - Weird and wonderful things” compilou uma série de fotos bizarras relativas à trânsito e engarrafamentos (The worst intersections and traffic jams).

Aí você acha um absurdo esse conjunto de viadutos japonês…

Viadutos no Japão

…ri da zona que é o trânsito em frente ao Arco do Triunfo em Paris…

Paris

…fica pasmo com a burocracia da engenharia de trânsito chegando a níveis Kafka na Inglaterra…

Inglaterra

…ou com esses outros viadutos em Xangai…

Xangai

…aí aparece São Paulo:

São Paulo

Fonte: www.gardenal.org/trabalhosujo/2008/03/zorra_total.html

Aos amigos e parentes enófilos de plantão, com quem costumo degustar um bom vinho de vez em quando, peço desculpas por não ter podido atender aos recentes convites para participar deste sagrado ritual nas últimas semanas.

O problema é que não estou podendo nem cheirar álcool (ainda bem que não cheiro loló), pois uma recente endoscopia digestiva de rotina revelou que uma gastrite erosiva hemorrágica entrou em erupção no meu estômago… As fotos do exame mostram uma Pompéia dentro de mim, cercada por magma sanguíneo! Ê saudade do meu santo vinhozinho de cada dia (ainda mais durante esse friozinho dos últimos dias)… Serão 35 dias tomando um coquetel molotov formado por 2 potentes antibióticos e um “inibidor da bomba de prótons” (nome chique daqueles medicamentos que diminuem a produção do “suco gástrico” - mas que mais parece descrição de dispositivo para desarmar bombas atômicas…). Depois, nova endoscopia e mais uns 2 exames nem um pouco “minimamente invasivos”. E então mais 60 dias de omeprazol, totalizando uma breve eternidade de 95 dias sem vinho, meu remédio natural mais apreciado (pois até que toda essa intoxicação medicamentosa termine, nem água com gás…). Ainda tentei negociar com minha médica, mas não teve jeito - ou melhor, até teve um, mas que descartei imediatamente: tomar vinho só via supositório (aí não dá! Ou melhor, não dá! Não dá e muito menos “recebe” ou “toma”!…). Só após esse looongo tratamento, se meu Vesúvio interior estiver adormecido, poderei voltar à luxúria dos chocolates cremosos, dos sorvetes cheios de cobertura, do indecente salaminho italiano, dos cheirosos queijos italianos amarelados e do meu sacrosanto vinho-de-cada-dia (mas, é claro, bem vagarosamente, tipo um dia sim e o outro também… :->)! Portanto, caros confrades e discípulos de Dionísio, assim que meu vulcão particular voltar a dormir, mais do que rapidamente iremos sacrificar algumas garrafas de vinho em homenagem ao deus Baco!

OBS: Millôr Fernandes um dia disse que o segredo da longevidade é ficar longe de médicos (acalmem-se médicos, pois esta afirmação tem duplo sentido… Aliás, não fiquem nervosos: cuidado com seus estômagos! ;->). Mas, como achar pajés e curandeiros que recebem o espírito do ocupado Dr. Fritz está cada vez mais difícil, admito que o coquetel de drogas que minha médica me prescreveu está fazendo um bem que só vendo! Mas ainda é pouco: quando dá, tenho tentado administrar uns 500mg de fotografia, leitura, cinema, ****, descanso e tranquilidade (não necessariamente nesta mesma ordem…) em alguns fins de semana na casa de praia - nesta época está fazendo um frio de montanha por lá! Embora, paradoxalmente, às vezes leve o receptor da SKY, especialmente pra não perder os episódios da ótima série médica “House“… É, talvez meu primo Paulo Faustini (que também é médico) tenha razão: eu não sou hipocondríaco - sou hipercondríaco! Mas a culpa é dos médicos! ;->

Verdades corporativas

Tradução:

- Por que parece que a maioria das decisões, na empresa onde trabalho, são tomadas por lêmures bêbados?

- Decisões são tomadas por pessoas que têm tempo, não por pessoas que tem talento.

- Por que as pessoas talentosas estão tão ocupadas?

- Elas estão corrigindo os problemas causados por pessoas que têm tempo.”

Qual sua verdadeira face?O comportamento das pessoas, hoje em dia (ou cada vez mais, para os pessimistas de plantão), tem sido muito artificial. Aprendemos (e conseguimos!) a mentir, iludir, enganar e trair com muita naturalidade - até a nós mesmos… Não quero parecer puritanista ao dizer isso, já que estas ações são inerentes ao fato de ser humano (afinal, quem de nós um dia não realizou ao menos uma delas contra alguém ou contra si próprio? Se você nunca fez nada disso, então atire a primeira pedra em minha caixa de comentários!). O grande problema é que as pessoas têm tornado todas essas ações atos típicos do cotidiano, tranformando as exceções em regras (e, muitas vezes, cometendo todas ao mesmo tempo…). Temos nos tornado atores de nós próprios e transformado nossas vidas em um grande palco de encenação constante, sobre o qual usamos máscaras para (dis)simular nossas verdadeiras intenções. Vivemos criticando várias pessoas por agirem assim (como nossos políticos, por exemplo), mas agimos camufladamente da mesma forma.

Viver para trabalhar ou trabalhar para viver?Em qual cenário geralmente mais agimos assim? Em minha opinião, o mercado de trabalho tem sido o ambiente ideal para a prática da arte de dotar as pessoas desse talento para a encenação maliciosa. As relações comerciais (pressionadas pela concorrência voraz, pelo atingimento de metas sem escrúpulos e pela crescente e insaciável busca pelo cálice sagrado dos lucros cada vez maiores e a qualquer custo) nos obrigam cada vez mais a blefar, omitir, mentir e, algumas vezes, até mesmo trapacear e corromper (ou nos deixarmos corromper) para atingirmos um objetivo (que na maioria das vezes nem mesmo é legitimamente nosso). As relações no mercado de trabalho têm se tornado demasiadamente predatórias, interesseiras e impessoais (OK, os almoços de negócio tentam devolver alguma “humanidade” às relações - além de aumentarem nossa efetiva jornada de trabalho em mais 1 ou 2 horas e, algumas vezes, nos presentearem com dolorosas gastrites… - mas quase sempre não combinam com a comida). Muito se tem perdido do ser humano nesse processo. Hoje em dia as corporações querem profissionais que sejam Super Homens (ou Mulheres Maravilhas), ou seja, infalíveis, multi-habilidosos, multi-certificados, poliglotas, incansáveis, pós-graduados e doutorados ao máximo do limite acadêmico e super estudiosos, aplicados e dedicados - tudo isso ao mesmo tempo. Ou seja, na prática (embora o discurso do RH seja bem demagogicamente diferente…), as empresas (especialmente as maiores), desejam que seus “colaboradores” (um novo termo termo hipócrita criado pelos gurus da nova era corporativa para fazer o empregado se sentir mais humano, valorizado e respeitado do que ele realmente é) mantenham-se prioritariamente dedicados aos negócios e, quando e se necessário (ou seja, quase sempre), que até mesmo renunciem às suas próprias vidas pessoais (incluindo suas famílias) em favor dos interesses da organização: é aquilo que sutilmente chamam de “vestir a camisa da empresa”. Por conta disso (ou mesmo devido à necessidade legítima), as pessoas, atualmente e cada vez mais, têm vivido para trabalhar - ao invés de trabalhar para viver.

Macacos da mídiaMas o quê tem nos levado a agirmos assim? Um dos elementos responsáveis pela “coisificação” do ser humano (além do individualismo provocado pela violência e do consumismo de nosso neocapitalismo globalizado, através do qual as fronteiras do mundo maravilhosamente se abrem, enquanto nos fechamos e nos isolamos dentro de nós mesmos e de nossos novos medos sazonais…) é a mídia de massa - em especial, a TV e a imprensa especialista em futilidades “in“. Através dela alimentamos nossos desejos mais perversos de consumo, estilo de vida e identificação pessoal. A silhueta de nossas personalidades são (re)moldadas pela mídia, à medida que nos deixamos influenciar e “lobotomizar” pela lavagem cerebral proporcionada por suas propostas duvidosas, ideologias hipócritas, sonhos ilusórios e histórias nem sempre bem contadas. Da mídia social às redes de comunicação interpessoais, todas as novas mídias e tecnologias possuem um crescente e importante papel na forma como entendemos e lidamos com nossas complexas vidas atuais. Notícias, jogos de computador, música e outras formas de arte, teorias da comunicação, filosofia, sociologia e outras áreas também contribuem significativamente para nosso entendimento do papel das relações e da tecnologia para nosso aprendizado e formação de opinião, personalidade e caráter (ou suas alterações). Mas a mídia em si não é a grande culpada. Culpado é o homem que alimenta a mídia com detritos e o que se deixa alimentar por ela sem senso crítico (que aprendeu, desde a escola, a não ter ou desenvolvê-lo de forma positiva…). Nossos já “lobotomizados” professores estavam ocupados demais em vomitar toda aquela sopa de letras e muitos conhecimentos inúteis sobre nossas cabeças e, nós, apenas muito preocupados em simplesmente decorar tudo aquilo para tirarmos notas suficientes para passarmos de ano, enquanto só pensávamos nas diversões das férias de verão (quando, muitas vezes, aprendíamos mais sobre a vida do que nas escolas…).

Crédito da foto: Georgios M.W.Há outras variáveis? Centenas delas! Mas este post não pretende se tornar um tratado… O fato é que estamos vivendo uma época em que nossas justificativas e declarações a respeito daquilo que fizemos, fazemos ou pretendemos fazer (ou não) estão se tornando cada vez mais repetitivas, lugar comum, hipócritas e demagógicas. Nunca desconfiamos tanto de nós mesmos. Nunca duvidamos tanto de nossas palavras, gestos, atitudes, idéais e - sobretudo - intenções. Somos vigias amedrontados de nós mesmos. Na melhor das hipóteses, acreditamos nas pessoas - mas “com um pé atrás”… Até nos sentimos incomodados de pedir um favor a alguém (e, quando o recebemos, nos achamos na obrigação aflita da retribuição imediata). Damos mais importância ao nosso status social do que ao nosso estado de ser e de estar. Falamos e gesticulamos de forma tão massificadoramente idêntica que parecemos “bio-robôs” saídos de uma mesma linha de produção. Estamos perdendo nossa originalidade, nossa identidade pessoal, nosso encanto individual. Quando, idealmente, cada pessoa deveria ser aquela que é o que é e, assim sendo, ser aquilo que ninguém mais é - sem “máscaras”, sem precisar ter que fingir ser o que não é para viver. E você? Quantas “máscaras” você guarda em seu armário?

E não, não sou um pessimista ou um antropólogo ou sociólogo de mal humor. Sou apenas um daqueles observadores daquilo que os olhos não vêem (enquanto tento, sem precisar usar “máscaras”, ser aquele que ninguém mais é).

Nômades, enfim!Parece que a tecnologia de comunicação móvel é o tema da vez. A revista inglesa “The Economist” publicou um artigo/entrevista chamado “Nomads at last” (”Nômades enfim“) que explora como a tecnologia (bem, a comunicação sem fio) está mudando a forma como as pessoas vivem e trabalham. Uma citação bem apropriada do sociólogo Manuel Castells resume tudo muito bem: “Conectividade permanente - e não movimento - é a coisa crítica“.

Eu passo mais tempo na maioria dos dias interagindo com pessoas em outras cidades, estados e até países do que com meus vizinhos. E suspeito que a habilidade para que as pessoas interajam fora de seus limites geográficos irá substituir muito do que significa “estar aqui”. Já me aproximei de pessoas que aparentemente estavam disponíveis, para somente então descobrir que elas estavam ocupadas em conversas com alguém através de seus celulares (via tecnologia sem fio “Bluetooth”). “Aqui” significa cada vez menos. “Conectado” significa cada vez mais.

Eu sou da paz...

Solte fogos em locais adequados!

SPAM em todo lugar!Já perceberam que quanto mais tecnologicamente evoluídos e eletrônicamente aparelhados nos tornamos e mais acesso à informação temos, menos tempo disponível também temos? Quanto tempo você perde por dia lendo e-mails com conteúdo não solicitado (progagandas, correntes, phishing scams maliciosos etc.), folheando catálogos de compras online, assistindo/ouvindo aos comerciais de rádio e TV (encenados pela demagogia, hipocrisia e mentiras escancaradas que o CONAR - Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária - parece não querer ver), recebendo ligações de telemarketing (de empresas que descobrem seu nº de telefone de formas tão misteriosas que desafiaria até mesmo o famoso detetive Sherlock Holmes), tendo seus ouvidos estuprados por aqueles pequeninos (mas não menos insuportáveis) carros de propaganda sonora nas ruas, tendo sua atenção desviada por centenas de outdoors trânsito afora, e até abrindo cartas com propagandas (sim, elas ainda existem - a editora Abril já me enviou centenas delas nos últimos anos e, curiosamente, ainda não percebeu que eu não quero mais assinar a revista Veja!)? Isso sem falar naquela legião de panfleteiros nos cercando nas calçadas ou enfiando folders de propaganda pelas frestas dos vidros de nossos carros. Pois o famigerado “SPAM” (ou propagandas comerciais não solicitadas, por mim aqui generalizado em todas as suas formas e nuances, sejam eletrônicas ou não), esta praga cotidiana nascida no século 20, parece nunca parar de se multiplicar (feito um câncer social) e está se alastrando cada vez mais - até em nossos celulares!

SPAM no celularHá muito tempo atrás (em 05/04/2006, para ser mais exato) solicitei à prestadora de serviços de telefonia celular VIVO que interrompesse o envio de mensagens publicitárias para meu celular (tanto via torpedos quanto através de ligações telefônicas originadas de telemarketing). Meu pedido foi atendido, visto que não mais as recebi (embora tenha tido que reiterá-lo 4 vezes diretamente à VIVO e 3 vezes por intermédio de reclamações junto à Anatel (originalmente através da reclamação nº 312994.2006), sendo que na última vez tive que chegar ao ponto de ameaçar a VIVO a registrar uma reclamação no Procon e impetrar uma ação na Justiça - e talvez apenas justamente por isso aquela tenha sido a última vez…).

Entretanto, quando envio torpedos de meu celular, todas as mensagens de confirmação de entrega sempre vêm acompanhadas de uma mensagem comercial no final (geralmente se referindo à divulgação de uma promoção, serviço ou produto da própria VIVO). Além desta prática ser uma forma da VIVO burlar a legislação e as regras do “Regulamento do Serviço Móvel Pessoal” da Anatel (no que diz respeito ao envio de mensagens publicitárias contra a vontade explícita de seus clientes), só contribui para que o tráfego de dados na rede celular móvel brasileira se torne ainda mais sobrecarregado (pois pelo menos 50% ou mais do conteúdo dos textos de confirmação de entrega de torpedos é composto por esse conteúdo publicitário - ou seja, supérfluo e geralmente desagradável para o cliente). Consequentemente, esses “inofensivos” bytes a mais contribuem para o aumento dos custos de gerenciamento, programação, manutenção, expanção e escalabilidade da rede e de todo o parque de equipamentos do universo da telefonia móvel, provocando um ciclo de constantes reinvestimentos - que quase sempre tornarão mais caros os preços das tarifas e serviços agregados para o cliente consumidor. Talvez seja por isso, também, que com bastante frequência os torpedos da VIVO sejam entregues com horas (ou mesmo dias) de atraso e até fora da ordem cronológica em que foram enviados - e afirmo isto não somente por experiência própria, mas pelas diversas mesmas reclamações que já ouvi de outros usuários da VIVO (e notem que eu somente envio e recebo torpedos com mensagens SMS, que utilizam somente texto puro, compostas por apenas poucos bytes de dados, ou seja, que utilizam muito pouco da banda de dados do sistema…).

Mate o SPAM antes que ele mate a InternetJá se você utiliza um notebook, um PDA sem fio ou um celular com acesso à Internet através de redes sem fio urbanas (especialmente através da tecnologia de acesso celular 3G), receber SPAM (seja através de seus e-mails ou a partir da própria operadora do celular) leva a um significativo aumento no custo de cada conexão (já que Internet móvel ainda é um “artigo” de luxo e custa muito caro). Se isso não parar, e-mails via celular não irão se tornar populares.

Além do mais, mais cliques em nossos celulares significa diminuição no tempo de duração de suas baterias e, consequentemente, de suas vidas úteis, necessitando serem substituídas por novas (o que é péssimo para o meio-ambiente, já que a maioria das cidades brasileiras não oferece ampla estrutura de coleta seletiva de lixo) ou fazendo com que a gente caia na tentação de adquirir um celular novo (já que o preço de muitas baterias novas - quando se consegue achá-las - é muito próximo do valor daquele celular novo que vive piscando pra você quando você passa pela vitrine… - o que também remete ao problema ambiental referente ao descarte antecipado de baterias de celulares substituídos). Isto me faz concluir o seguinte: será que os SPAMs das prestadoras de serviço celular têm como objetivo oculto aquecer o mercado de venda de novos celulares ou a migração de usuários de planos pré-pagos para planos pós-pagos (que incluem celulares de graça)? Admito que daria um bela teoria da conspiração!

SPAM via InternetMenos SPAM significa menos poluição visual e sonora e menos tempo de nossa vida útil perdido lendo-se ou assistindo-se conteúdo inútil e não solicitado. Não sou contra a publicidade e propaganda (elas são, sem dúvida, parte da “alma do negócio” e necessárias à divulgação de produtos ou serviços oferecidos à sociedade). Eu apenas sou contra ao abuso e excesso relacionados à sua forma de divulgação (seja conteúdo ou exposição) e a favor da adoção e cumprimento de políticas públicas sensatas (incluindo legislação governamental e resoluções de órgãos reguladores) que as tornem mais éticas, sutis, menos agressivas e intrusivas e também, de certo modo, mais “selecionáveis” (ou seja, ao consumidor deveriam ser oferecidos meios de escolher o quê, quando e através de quais canais de comunicação ele deseja recebê-las, quando possível).

Sugeri à Anatel (a agência reguladora de serviços de telecomunicações brasileira) que investigue a sutil forma de SPAM praticada pela VIVO (e talvez também por outras prestadoras de serviço de telefonia móvel) e que ela estenda, através de suas resoluções, as regras anti-SPAM para todos os casos em que essas operadoras tenham a oportunidade de se comunicar com seus usuários (conforme ilustrei na situação pessoal e verídica que citei acima).

Também se sente incomodado com SPAM em seu celular? Então faça o mesmo, exerça sua cidadania e exija que seus direitos como consumidor sejam respeitados! Você pode facilmente registrar uma reclamação junto à Anatel através de seu website (www.anatel.gov.br) ou via 0800-33-2001 (de segunda à sexta-feira, nos dias úteis, das 08:00h às 20:00h). Embora ainda precise melhorar muito a forma como intermedia as reclamações da sociedade junto às empresas reclamadas e melhor capacitar os atendentes de seu call center, a inserção da Anatel no circuito das reclamações dos consumidores junto às suas prestadoras de serviço de telecomunicações têm sido bastante útil no sentido de forçá-las a corrigir falhas, atender e dar solução às reclamações procedentes de seus usuários e a cumprir a legislação em vigor (como, por exemplo e em especial, o “CDC” - Código do Consumidor). Ou…:

SPAM!

Batman em Brasília

Propagandas de cremes dentais

Televisão

Reality show

Juridiquês
Tradução: “O estupro aconteceu sob
violência física ou sob ameaça grave?”
© Ilustração: Klebs Junior

Eminentes e Eméritos” leitores, “perante Vossas Excelências, Doutos Julgadores“, pergunto-lhes: antes que “a sentença transitasse em julgado”, o “excelso pretório” tomou conhecimento de que o “cônjuge supérstite” deixou à sua “cônjuge virago” uma “cártula chéquica” antes de “ir à óbito”, embora vivesse de “espórtula”, tanto que era notória sua “cacosmia”? Traduzindo: antes que “a decisão do juiz não pudesse mais ser contestada”, o “tribunal superior” soube que o “viúvo” deixou à sua “esposa” um “cheque” antes de “morrer”, embora “dependesse de donativos para viver” e “morasse em um ambiente miserável”)? Bem, quem já teve a oportunidade de tentar interpretar um documento jurídico (petições, liminares, apelações, acórdãos, despachos, ofícios, pareceres, sentenças etc.) ou deu muitas risadas ou se sentiu a pessoa mais ignorante do mundo (e que também de nada valeram todas aquelas excelentes notas em gramática na escola…). O “juridiquês” impera na documentação e literatura jurídicas. A pergunta acima, que utilizei como exemplo, poderia muito bem ter sido retirada de algum processo judicial e traz consigo o traço mais nefasto do “juridiquês”: pôr as palavras contra sua função essencial - a comunicação. Por que é assim? Será um grande complô contra o povo leigo, obrigando-o a recorrer a advogados “bilíngües” para conseguir entender e ser entendido em um simples “tribunal de pequenas causas“? Exibicionismo? Dogmatismo lingüístico? Falta de coragem de se quebrar um paradigma secular e ultrapassado? Manter erguida mais uma ponte entre a Justiça e a sociedade? Prefiro passar a palavra para quem realmente entende do assunto:

Ademais, entendo que é sinal de atraso e subdesenvolvimento mental a manutenção desse dialeto sofisticado e pretensioso que se utiliza nos meios jurídicos, já chamado “juridiquês”, uma linguagem afetada, empolada, impenetrável, não raro ridícula, dos que supõem que utilizar expressões incomuns, exóticas, é sinal de cultura ou de sabedoria. O “juridiquês”, infelizmente, só tem mostrado eficiência e grande utilidade na perversa e estúpida missão de afastar o povo do Direito, de desviar a justiça do cidadão.”

    (Texto extraído do artigo “Lei de Introdução”, de autoria de Zeno Veloso, Jurista - publicado em “O Liberal”, edição de 18/06/2005).

Exemplos de juridiquês

Estimulada por essa “nova velha onda” desinterrrada pelo atual Papa Bento 16 (sim, 16, pois algarismos romanos também são um retrocesso “algarísmico-temporal”), na qual as missas devem ser rezadas em latim (o que, a meu ver, por analogia, também apenas servirá para afastar ainda mais os fiéis da Igreja Católica), quem sabe um dia a Justiça (que dizem que é cega, mas fala latim muito bem…) também não passará a adotar integralmente esta língua emplumada e nobre - mas morta - como idioma oficial de suas intermináveis pilhas de documentos processuais (tornando-as, em definitivo, verdadeiras Torres de Babel de papel)?

Glossário juridiquês

Não me interpretem mal:

  • Compreendo que cada área do conhecimento humano possui seus termos técnicos (ou jargão);
  • Admito que devido à origem latina de nosso Direito há vocábulos em latim cuja substituição é impossível;
  • E defendo a idéia de se ensinar o significado dos prefixos e sufixos do grego e do latim nas escolas (porque isso sim teria aplicação útil, prática, real, nos proporcionando entender melhor nosso próprio idioma - especialmente aqueles indecifráveis termos da Medicina, que nos tornam pacientes mais “burros” do que leigos…).
  • O que julgo - e condeno - é a utilização tão exagerada e afrontosa de termos técnicos e de arcaísmos (ou seja, palavras em desuso) de nosso próprio idioma e de uma língua morta há seculos em ambientes e situações onde não somente profissionais do Direito estejam presentes e participando (mesmo que passivamente ou somente como ouvintes) do processo de comunicação, especialmente perante uma nação com altíssimo índice de analfabetos e semi-analfabetos, em que até mesmo as camadas melhor alfabetizadas da população (de estudantes pré-universitários à especialistas pós-doutorados) lêem muito pouco em seu próprio idioma e, por conseqüência, o escrevem vergonhosamente muito mal! Nossa língua portuguesa precisa de um habeas corpus jurídico para democratizar a Justiça para o cidadão leigo - que não precisa passar pelo constrangimento de se sentir um ignorante medieval em pleno século 21 (ou devo escrever “Saeculu XXI“?) diante de tanta prolixidade e preciosismos linguísticos vestidos de gala! Segundo Paulo César de Carvalho, bacharel em Direito e mestre em Lingüística pela USP, em seu artigo publicado na edição nº 3 da revista “Discutindo Língua Portuguesa” (maio de 2006):

    Quando se fala em agilizar a Justiça, deve-se pensar também em agilizar a linguagem adotada. Nessa perspectiva, evitar arcaísmos e preciosismos vocabulares é um fator de “economia processual”: um texto claro, objetivo, que vai direto ao centro da questão, é lido também com maior agilidade. […] Mesmo com toda a pompa, uma cadeia não fica melhor se designada por “ergástulo público”.”

      (Trecho pinçado de excelente artigo do blog do Dr. Aldo Corrêa de Lima)

    Juridiquês

    Em resumo: romantismo é muito bonito e bem aplicável às artes e à nostalgia, mas não às salas dos tribunais, onde magistrados, advogados, vítimas e réus discutem a vida como ela é - e querem compreender e serem compreendidos em seu idioma natal (sem dependerem de “tradutores” de gravata). Aliás, vida esta que, de justa, tem muito pouca coisa…

    Das palavras, as mais simples: das mais simples, a menor.”
    (Winston Churchil - estadista e escritor)

    Personagem de um jogo de “video game” cheio de dificuldades e obstáculos, com índios selvagens por todos os lados. É como me sinto ao dirigir no Brasil…

    Buracos, placas de trânsito escondidas (ou mesmo inexistentes…), pistas triplas que subitamente se transformam em duplas (ou o contrário), motoristas imprudentes, impacientes e mal educados, lerdos de plantão fazendo questão de fazer procissão motorizada na pista da esquerda e buzinas impacientes para nos lembrar que o semáforo já ficou verde faz meio segundo! Sem falar em guardas de trânsito omissos ou mal preparados (mas muito bem treinados pela indústria da multa…), flanelinhas sanguessugas e ameaçadores, crianças pedintes ou vendendo coisas nos semáforos (geralmente a mando de pais exploradores), quebra-molas como não se vê em nenhum outro país (alguns parecem verdadeiros muros e a grande maioria geralmente está disfarçada de asfalto…), pistas e rodovias sem acostamento, radares “pardais caça-níqueis” geralmente instalados em locais pouco necessários (porém em pontos bastante estratégicos, a fim de favorecer o “fator surpresa”…).

    Sem falar em motoqueiros (e não motociclistas, de fato) - especialmente motoboys mal preparados e movidos à bicombustível (pressão e prazos) - que costuram entre os carros, ultrapassam pela direita, surgem do nada e às vezes levam seu retrovisor sem a menor cerimônia.

    Ufa! Com a baixa qualidade de ensino nas autoescolas e com a facilidade oferecida pelo mercado de venda de veículos (que parcelam carros e motos em até 72 vezes, sem entrada e com taxa de arrependimento zero), daqui a pouco nossas ruas estarão parecendo com as das caóticas e grandes cidades da Índia… Só que sem as vacas. Pelo menos isso!

    Ontem acessei um site de busca na Internet e disparei uma pesquisa com as palavras-chave “universe expansion” (queria saber as últimas notícias sobre a teoria da expansão do Universo). Obtive como resultado 166.000 websites diferentes! Caí em desespero por overload de informações e, frustrado, desconectei-me e fui acariciar um gato simples…

    [Atualização: hoje, 08/jun/2008, o nº de resultados aumentou para 197.000! Ainda bem que ainda há gatos por perto…]

    Certa vez li um pensamento (cuja autoria é atribuída à diversas personalidades, tais como Dalai Lama, Madre Tereza de Calcutá e Kung-Fu-Tse, vulgo “Confúcio”), que descobri se encaixar perfeitamente com meu modo de ver a vida moderna:

    Os seres humanos fartam-se de ser crianças e têm pressa de crescer, mas quando adultos suspiram por voltar a ser crianças. Perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperá-la. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por não viver nem no presente, nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido…”.

    Construa seu patrimônio, trabalhe com dedicação e planeje o futuro - mas lembre-se que isso tudo é o meio, e não o objetivo final. Pois, a vida, é o que acontece entre cada uma destas coisas.