Aos amigos e parentes enófilos de plantão, com quem costumo degustar um bom vinho de vez em quando, peço desculpas por não ter podido atender aos recentes convites para participar deste sagrado ritual nas últimas semanas.
O problema é que não estou podendo nem cheirar álcool (ainda bem que não cheiro loló), pois uma recente endoscopia digestiva de rotina revelou que uma gastrite erosiva hemorrágica entrou em erupção no meu estômago… As fotos do exame mostram uma Pompéia dentro de mim, cercada por magma sanguíneo! Ê saudade do meu santo vinhozinho de cada dia (ainda mais durante esse friozinho dos últimos dias)… Serão 35 dias tomando um coquetel molotov formado por 2 potentes antibióticos e um “inibidor da bomba de prótons” (nome chique daqueles medicamentos que diminuem a produção do “suco gástrico” - mas que mais parece descrição de dispositivo para desarmar bombas atômicas…). Depois, nova endoscopia e mais uns 2 exames nem um pouco “minimamente invasivos”. E então mais 60 dias de omeprazol, totalizando uma breve eternidade de 95 dias sem vinho, meu remédio natural mais apreciado (pois até que toda essa intoxicação medicamentosa termine, nem água com gás…). Ainda tentei negociar com minha médica, mas não teve jeito - ou melhor, até teve um, mas que descartei imediatamente: tomar vinho só via supositório (aí não dá! Ou melhor, lá não dá! Não dá e muito menos “recebe” ou “toma”!…). Só após esse looongo tratamento, se meu Vesúvio interior estiver adormecido, poderei voltar à luxúria dos chocolates cremosos, dos sorvetes cheios de cobertura, do indecente salaminho italiano, dos cheirosos queijos italianos amarelados e do meu sacrosanto vinho-de-cada-dia (mas, é claro, bem vagarosamente, tipo um dia sim e o outro também… :->)! Portanto, caros confrades e discípulos de Dionísio, assim que meu vulcão particular voltar a dormir, mais do que rapidamente iremos sacrificar algumas garrafas de vinho em homenagem ao deus Baco!
OBS: Millôr Fernandes um dia disse que o segredo da longevidade é ficar longe de médicos (acalmem-se médicos, pois esta afirmação tem duplo sentido… Aliás, não fiquem nervosos: cuidado com seus estômagos! ;->). Mas, como achar pajés e curandeiros que recebem o espírito do ocupado Dr. Fritz está cada vez mais difícil, admito que o coquetel de drogas que minha médica me prescreveu está fazendo um bem que só vendo! Mas ainda é pouco: quando dá, tenho tentado administrar uns 500mg de fotografia, leitura, cinema, ****, descanso e tranquilidade (não necessariamente nesta mesma ordem…) em alguns fins de semana na casa de praia - nesta época está fazendo um frio de montanha por lá! Embora, paradoxalmente, às vezes leve o receptor da SKY, especialmente pra não perder os episódios da ótima série médica “House“… É, talvez meu primo Paulo Faustini (que também é médico) tenha razão: eu não sou hipocondríaco - sou hipercondríaco! Mas a culpa é dos médicos! ;->