Junho de 2008


Verdades corporativas

Tradução:

- Por que parece que a maioria das decisões, na empresa onde trabalho, são tomadas por lêmures bêbados?

- Decisões são tomadas por pessoas que têm tempo, não por pessoas que tem talento.

- Por que as pessoas talentosas estão tão ocupadas?

- Elas estão corrigindo os problemas causados por pessoas que têm tempo.”

…que não há um padrão de comportamento humano universal. Seja sempre você (ou seja, aja naturalmente, sem usar máscaras) e não acredite cegamente nas pessoas - elas próprias se enganam e se traem. Ame, se entregue e se dedique de corpo e alma (ou não será amor) - mas esteja sempre preparado para uma grande decepção (pois ela pode acontecer a qualquer momento, quando menos se espera).

Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim, nem que eu faça a falta que elas me fazem. O importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível, e que esse momento será inesquecível.”

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão… Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… e que valeu a pena!”

    Rodrigo Faustini (através das palavras de Mário Quintana)

Procura-se...

Tradução:

PROCURA-SE: Alguém para voltar no tempo comigo. Isto não é uma piada. Caixa Postal 322, Oakview, California, 93022. Você será pago após regressarmos. Deve trazer suas próprias armas. Segurança não garantida. Eu só fiz isso uma vez antes.”

Muitas pessoas estão mantendo “blogs” e fazendo websites pessoais hoje em dia. Outras muitas pessoas às vezes me perguntam se isso não é uma perda de tempo.

Os motivos que levam cada pessoa a decidir elaborar seu próprio site na Internet são diversificados e muito pessoais. No entanto, analisando este fenômeno de forma filosófica, vejo que ter um website pessoal é, embora pouco se perceba, uma forma de arte. As antigas pinturas nas cavernas eram expressões da cultura de povos pré-históricos que documentavam a história de sua gente e de sua época. Cada uma delas ilustra momentos de nossa existência através dos tempos. Algumas delas mostram dor (como na perda de um dedo) e felicidade (como no nascimento de uma nova criança). Páginas pessoais são como pinturas nas cavernas, pois são expressões de cultura e sentimentos das pessoas que as possuem. Da mesma forma, elas documentam a história dessas pessoas e um determinado período de suas vidas ou de sua época, pois cada uma delas também conta uma história diferente. Como exemplo, muitas páginas pessoais que são encontradas nos grupos de discussão femininos mostram a dor pela perda de um marido ou a alegria pelo nascimento do primeiro filho. Já outras exibem fotos de uma viagem pessoal realizada durante as férias. Há ainda as que servem aos propósitos de utilizade pública ou como repositórios culturais (tais como os sites de poesia).

Diferentemente das pinturas pré-históricas, as milhões de páginas pessoais e blogs que estão no ar (assim como todo o conteúdo da Internet, de forma geral) ajudam as pessoas do mundo de hoje a entenderem e refletirem como é viver nos tempos atuais.

E por quais motivos pessoais eu criei este blog e um website pessoal?

Para divulgar meu trabalho e me divertir, ensaiando um pouco de arte digital… Além disso, hoje em dia cada vez mais precisamos de um cartão de apresentação cibernético, um currículo digital. Armar nossa tenda na grande rede, entende?

No entanto, para melhor entender porque cada vez mais pessoas estão construindo blogs e websites pessoais e se comunicando umas com as outras pela Internet, é preciso observar os seguintes bons argumentos:

  • Liberdade de expressão
  • É o que dá à Internet o potencial de incrível poder.

  • Desmascaramento dos esteriótipos
  • Já percebeu que, seja por orgulho, timidez ou medo, costumamos não falar com algumas pessoas por causa de sua idade, sexo, peso, roupas, o carro que ela possui ou o emprego que ela tem? A Internet nos serve como uma espécie de escudo contra os preconceitos óbvios que encontramos na nossa vida cotidiana. Através dos meios virtuais, você pode lidar com uma pessoa sem a interferência desses preconceitos.

  • Proteção de retaliação direta
  • A Internet nos fornece um ambiente onde podemos expressar aquilo que pensamos sem sofrermos retaliação direta. Você pode receber flame por e-mail, mas eles ainda poderão ser simplesmente apagados. Por exemplo, pense o quão seguro de si nós nos sentimos quando usamos óculos escuros. Eles formam uma máscara para os olhos, uma espécie de escudo que faz com que nos sintamos protegidos do olhar direto e inquisitivo dos outros enquanto ainda permite que você os observe. A Internet nos dá a mesma sensação - ou o mesmo tipo de proteção - que faz com que você diga e olhe o que quer sem correr o risco de uma retaliação direta e imediata.

  • As vozes de todos têm o mesmo volume
  • Aqui na Internet, a voz de uma pessoa pode ser tão proeminente e notável quanto a de qualquer outro indivíduo ou entidade.

  • Expressão dos taboos
  • Oh, sim! Quantas vezes nossas mães, professores ou padres nos falaram “não toque, não olhe, não diga”? Na Internet temos a liberdade e possibilidade de explorar os taboos e de desmistificar muitos deles apenas através da possibilidade que temos de conhecê-los melhor (seja por meio da leitura, da pesquisa, da observação, da conversa com outras pessoas - sempre, naturalmente, observando-se os cuidados necessários).

  • Sensação de não ser o único
  • Encontrar outras pessoas que partilhem os mesmos pensamentos, sentimentos e experiências pode ser um evento encorajador, animador, estimulante e excitante para o espírito (embora, particularmente, eu prefira um bom vinho em frente à lareira ou um chope na beira da praia…).

    Qual sua verdadeira face?O comportamento das pessoas, hoje em dia (ou cada vez mais, para os pessimistas de plantão), tem sido muito artificial. Aprendemos (e conseguimos!) a mentir, iludir, enganar e trair com muita naturalidade - até a nós mesmos… Não quero parecer puritanista ao dizer isso, já que estas ações são inerentes ao fato de ser humano (afinal, quem de nós um dia não realizou ao menos uma delas contra alguém ou contra si próprio? Se você nunca fez nada disso, então atire a primeira pedra em minha caixa de comentários!). O grande problema é que as pessoas têm tornado todas essas ações atos típicos do cotidiano, tranformando as exceções em regras (e, muitas vezes, cometendo todas ao mesmo tempo…). Temos nos tornado atores de nós próprios e transformado nossas vidas em um grande palco de encenação constante, sobre o qual usamos máscaras para (dis)simular nossas verdadeiras intenções. Vivemos criticando várias pessoas por agirem assim (como nossos políticos, por exemplo), mas agimos camufladamente da mesma forma.

    Viver para trabalhar ou trabalhar para viver?Em qual cenário geralmente mais agimos assim? Em minha opinião, o mercado de trabalho tem sido o ambiente ideal para a prática da arte de dotar as pessoas desse talento para a encenação maliciosa. As relações comerciais (pressionadas pela concorrência voraz, pelo atingimento de metas sem escrúpulos e pela crescente e insaciável busca pelo cálice sagrado dos lucros cada vez maiores e a qualquer custo) nos obrigam cada vez mais a blefar, omitir, mentir e, algumas vezes, até mesmo trapacear e corromper (ou nos deixarmos corromper) para atingirmos um objetivo (que na maioria das vezes nem mesmo é legitimamente nosso). As relações no mercado de trabalho têm se tornado demasiadamente predatórias, interesseiras e impessoais (OK, os almoços de negócio tentam devolver alguma “humanidade” às relações - além de aumentarem nossa efetiva jornada de trabalho em mais 1 ou 2 horas e, algumas vezes, nos presentearem com dolorosas gastrites… - mas quase sempre não combinam com a comida). Muito se tem perdido do ser humano nesse processo. Hoje em dia as corporações querem profissionais que sejam Super Homens (ou Mulheres Maravilhas), ou seja, infalíveis, multi-habilidosos, multi-certificados, poliglotas, incansáveis, pós-graduados e doutorados ao máximo do limite acadêmico e super estudiosos, aplicados e dedicados - tudo isso ao mesmo tempo. Ou seja, na prática (embora o discurso do RH seja bem demagogicamente diferente…), as empresas (especialmente as maiores), desejam que seus “colaboradores” (um novo termo termo hipócrita criado pelos gurus da nova era corporativa para fazer o empregado se sentir mais humano, valorizado e respeitado do que ele realmente é) mantenham-se prioritariamente dedicados aos negócios e, quando e se necessário (ou seja, quase sempre), que até mesmo renunciem às suas próprias vidas pessoais (incluindo suas famílias) em favor dos interesses da organização: é aquilo que sutilmente chamam de “vestir a camisa da empresa”. Por conta disso (ou mesmo devido à necessidade legítima), as pessoas, atualmente e cada vez mais, têm vivido para trabalhar - ao invés de trabalhar para viver.

    Macacos da mídiaMas o quê tem nos levado a agirmos assim? Um dos elementos responsáveis pela “coisificação” do ser humano (além do individualismo provocado pela violência e do consumismo de nosso neocapitalismo globalizado, através do qual as fronteiras do mundo maravilhosamente se abrem, enquanto nos fechamos e nos isolamos dentro de nós mesmos e de nossos novos medos sazonais…) é a mídia de massa - em especial, a TV e a imprensa especialista em futilidades “in“. Através dela alimentamos nossos desejos mais perversos de consumo, estilo de vida e identificação pessoal. A silhueta de nossas personalidades são (re)moldadas pela mídia, à medida que nos deixamos influenciar e “lobotomizar” pela lavagem cerebral proporcionada por suas propostas duvidosas, ideologias hipócritas, sonhos ilusórios e histórias nem sempre bem contadas. Da mídia social às redes de comunicação interpessoais, todas as novas mídias e tecnologias possuem um crescente e importante papel na forma como entendemos e lidamos com nossas complexas vidas atuais. Notícias, jogos de computador, música e outras formas de arte, teorias da comunicação, filosofia, sociologia e outras áreas também contribuem significativamente para nosso entendimento do papel das relações e da tecnologia para nosso aprendizado e formação de opinião, personalidade e caráter (ou suas alterações). Mas a mídia em si não é a grande culpada. Culpado é o homem que alimenta a mídia com detritos e o que se deixa alimentar por ela sem senso crítico (que aprendeu, desde a escola, a não ter ou desenvolvê-lo de forma positiva…). Nossos já “lobotomizados” professores estavam ocupados demais em vomitar toda aquela sopa de letras e muitos conhecimentos inúteis sobre nossas cabeças e, nós, apenas muito preocupados em simplesmente decorar tudo aquilo para tirarmos notas suficientes para passarmos de ano, enquanto só pensávamos nas diversões das férias de verão (quando, muitas vezes, aprendíamos mais sobre a vida do que nas escolas…).

    Crédito da foto: Georgios M.W.Há outras variáveis? Centenas delas! Mas este post não pretende se tornar um tratado… O fato é que estamos vivendo uma época em que nossas justificativas e declarações a respeito daquilo que fizemos, fazemos ou pretendemos fazer (ou não) estão se tornando cada vez mais repetitivas, lugar comum, hipócritas e demagógicas. Nunca desconfiamos tanto de nós mesmos. Nunca duvidamos tanto de nossas palavras, gestos, atitudes, idéais e - sobretudo - intenções. Somos vigias amedrontados de nós mesmos. Na melhor das hipóteses, acreditamos nas pessoas - mas “com um pé atrás”… Até nos sentimos incomodados de pedir um favor a alguém (e, quando o recebemos, nos achamos na obrigação aflita da retribuição imediata). Damos mais importância ao nosso status social do que ao nosso estado de ser e de estar. Falamos e gesticulamos de forma tão massificadoramente idêntica que parecemos “bio-robôs” saídos de uma mesma linha de produção. Estamos perdendo nossa originalidade, nossa identidade pessoal, nosso encanto individual. Quando, idealmente, cada pessoa deveria ser aquela que é o que é e, assim sendo, ser aquilo que ninguém mais é - sem “máscaras”, sem precisar ter que fingir ser o que não é para viver. E você? Quantas “máscaras” você guarda em seu armário?

    E não, não sou um pessimista ou um antropólogo ou sociólogo de mal humor. Sou apenas um daqueles observadores daquilo que os olhos não vêem (enquanto tento, sem precisar usar “máscaras”, ser aquele que ninguém mais é).

    Nômades, enfim!Parece que a tecnologia de comunicação móvel é o tema da vez. A revista inglesa “The Economist” publicou um artigo/entrevista chamado “Nomads at last” (”Nômades enfim“) que explora como a tecnologia (bem, a comunicação sem fio) está mudando a forma como as pessoas vivem e trabalham. Uma citação bem apropriada do sociólogo Manuel Castells resume tudo muito bem: “Conectividade permanente - e não movimento - é a coisa crítica“.

    Eu passo mais tempo na maioria dos dias interagindo com pessoas em outras cidades, estados e até países do que com meus vizinhos. E suspeito que a habilidade para que as pessoas interajam fora de seus limites geográficos irá substituir muito do que significa “estar aqui”. Já me aproximei de pessoas que aparentemente estavam disponíveis, para somente então descobrir que elas estavam ocupadas em conversas com alguém através de seus celulares (via tecnologia sem fio “Bluetooth”). “Aqui” significa cada vez menos. “Conectado” significa cada vez mais.