Archive for março, 2006

Quem me conhece sabe que eu adoro viajar. Quanto mais longe, melhor. Acho que tudo começou lá pelos idos de 1986, quando o início do estudo do idioma inglês (associada à sedução lobotômica do “sonho americano”) me fez perceber que eu tinha vocação pra ser cidadão do mundo. O cinema, é claro, também ajudou bastante, pois literalmente abriu meus olhos para horizontes muito além daquele que eu podia ver pela janela de meu quarto, na pequena cidade onde nasci (que, por lá, audaciosamente insistem em apelidar de “capital secreta do mundo”…). Naquela época eu já começava a me sentir prisioneiro de meu lar doce lar. Percebi que viajar era preciso.

Especialmente para outros países. Os nacionalistas de plantão dizem que eu sou um filho pródigo da pátria amada, que há tantas coisas bonitas para se conhecer no Brasil. E é verdade (a segunda afirmativa – e não a primeira…). Mas viajar, para mim, não diz respeito apenas aos lugares. Tem haver com as pessoas, com a cultura, com a “aura” do local. Com a misteriosa e intrigante (mas ao mesmo tempo deliciosa) sensação de enfrentar o inesperadamente novo, o desconhecido. De ver como este mundo globalizadamente pequeno é tão grande em diversidade.

E não falo, por exemplo, de ir à Paris para subir na Torre Eiffel ou de ir aos EUA tirar fotos com Mickey Mouse na Disneylândia (embora confesse que já tenha cometido a segunda por acidente…). Falo de exorcisar as excursões turísticas e bravamente alugar um carro e se perder no interior da França (passando pelos inúmeros pequenos vilarejos, cheios de história e vinhos espetaculares), ou cruzar os EUA (através dos ossos da lendária Rota 66, conhecendo alguns dos locais e personagens que ainda fazem parte da história do “velho oeste”, como tive a oportunidade de fazer em 2001).

Viajar não se resume a apenas visitar lugares, mas a absorvê-los em sua plenitude, evitando as “armadilhas para turistas” (ou pelo menos não se limitando apenas a elas). É preciso comer o que os residentes locais comem, frequentar os lugares que eles frequentam, ouvir as músicas que eles ouvem, até mesmo usar as roupas que eles usam (mesmo que nada disso esteja listado nos guias de viagem comerciais). “Quando em Roma, faça como os romanos“. Somente dessa forma poderemos voltar pra casa e dizer que, de fato, conhecemos um determinado lugar e trouxemos conosco uma enorme bagagem (não de produtos ou souveniers, mas de elementos culturais que durarão para sempre dentro de nós e que, de alguma forma, nos tornarão mais educados, civilizados, humildes e contemplativos perante à humanidade, às pessoas com as quais convivemos e talvez ao próprio sentido da vida – seja ele qual for…). E para que, no aconchego do nosso lar doce lar, possamos sonhar com a próxima viagem doce viagem

Prédio do Senado (Bogotá - Colômbia - Jan/2006) Não cuspa em mim! (Lhama em Bogotá - Colômbia - Jan/2006) Malabaristas em Venice Beach (California - EUA - Jan/2006) Sem palavras... (com Charles Chaplin no Universal Studios - Hollywood/LA - EUA - Jan/2006)

Somos unidades biológicas cuja espécie é movida a dúvidas. A cor das paredes do apartamento novo, o destino das próximas férias e os sabores das bolas do sorvete são apenas uma pequena amostra de nossas infinitas dúvidas diárias.

Mas, sem dúvida (e sem trocadilho…), a maior de todas as dúvidas continua sendo: “qual o sentido da vida?” (inclua-se nesta abrangente pergunta as questões relativas a o quê será de nós após a morte, como surgiu o Universo, se existem seres extraterrestres, se eram os deuses astronautas, quem mexeu no nosso queijo, ser ou não ser etc.).

No excelente filme “Quiz Show” (EUA, 1994), que retratava os bastidores de um programa de TV que premiava pessoas por seus conhecimentos, alguém cogitou que esta seria a pergunta de US$ 64.000 dólares (o valor do prêmio máximo, numa época em que US$ 64 mil era muito, muito dinheiro…). O grupo humorístico inglês Monty Python (O “Casseta e Planeta” da Inglaterra) brincou com este tema no quase filosófico filme “O sentido da vida” (“The meaning of life” – Inglaterra, 1983), onde tentaram desvendar os mistérios da vida com sketches que examinavam as eras do homem e outras situações típicas do cotidiano nosso de cada dia. Eles podem não ter conseguido chegar a uma resposta exata, mas nos ajudaram a perceber que nem sempre é preciso buscar sentido naquilo que se vive – literalmente.

A morte - Cena do filme 'O sentido da vida', de Monty Python
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Para aqueles que não se satisfazem em apenas participar dessa grande peça teatral sem ensaios que é a vida sem conhecer a íntegra do script (como eu), viver pode ser bem mais confuso… Dilemas constantes, dúvidas cruéis e crises existenciais são apenas alguns dos efeitos colaterais dessa busca pelas respostas sagradas que explicariam, por exemplo, por quê morremos, de onde viemos, para onde vamos (se é que vamos…) e por qual motivo a Fanta Uva light só vem em latinhas… Oh, well.

Mesmo que você não tenha nada a ver comigo, seja bem-vindo(a) ao weblog pessoal de Rodrigo Faustini (dedicado à interminável busca pelo sentido da vida e ao desejo pela busca da verdade – ou não…). Isto aqui é o que chamam de “Internet”.

ATENÇÃO: Este blog é uma extensão de meu cérebro. Se você não está preparado para se confrontar com provocações, imagens, idéias e opiniões polêmicas, controversas ou diferentes da sua, este website não é para você (há sempre outras alternativas…).

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